Há de certo uma grande obsessão telespectadora por tudo o que permeia os escombros da vida alheia, não é preciso apontar a programação deturpada e manipuladora, que indiscriminadamente arrebanha uma massa necessitada de conteúdo, e que por falta deste se satisfaz com a passividade de um poder ilusoriamente denominado seu.
A tal história de que o controle está em suas mãos é um engodo tão antigo quanto o mundo, ninguém destina tempo e dinheiro para disponibilizar um material na mídia sem que o mesmo seja para induzir de fato o público, para eles é necessário que o bicho homem entre em evidência, é para isso que rios de dinheiro são gastos, para gerar tantos outros rios de dinheiro para os verdadeiros detentores do poder.
Há um sutil flerte entre você e a mídia, ambos sabem o que querem um do outro mas continuam brincando que adivinha o quê, quem e como, afinal nesse jogo o que vale é a intenção ou má intenção pra ser sincero.
Com a dimensão que esse olho chamado “TV” ganhou, atingindo simultaneamente tantos indivíduos, ficou fácil acertar o alvo, é como em uma conversa com o terapeuta, mas nessa história você não tem voz ativa, apenas está ali para concordar com a barbárie, afinal de contas o que se apresenta usurpou o seu papel na sociedade, e agora os seus próprios defeitos se tornaram plausíveis, pois é mais divertido rir da desgraça dos outros apontando o dedo para a mediocridade que se reflete.
Nossos fetiches ganharam moldes para todos os gostos, e é assim, como deuses falidos e sem controle que vemos nossas vidas serem direcionadas por regras injustas, que preenchem a vida vazia de milhares de pessoas ocas, acomodadas em seus subterfúgios, costurando com retalhos da vida dos outros a síndrome atual da desvalorização moral – a mais medíocre das histórias.
by Angelus Almeida

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